Artigos - Teletrabalho

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Recomendações para o Teletrabalho Baseado em Casa

 

INTRODUÇÃO

O lar é o lugar onde se dorme, come-se, assiste-se televisão, estuda-se , relaxa-se ,e , onde também , cada vez mais se trabalha, ou seja, se exerce o teletrabalho.

Define-se como teletrabalho, a alternativa de trabalho flexível, quanto ao local, onde os empregados passam a realizar suas atividades profissionais, antes exercidas nos escritórios ou em locais diversos tais como residências ou em áreas intermediárias entre a casa e a empresa. Teletrabalho é, portanto, uma forma de trabalho que

oferece benefícios importantes as empresas, e, também ao funcionário ao flexibilizar seu convívio equilibrado da família, responsabilidades no trabalho, além de reduzir o stress e as despesas provenientes das constantes idas e vindas ao escritório tradicional.

As tecnologias da informação e das comunicações incorporam, atualmente, um novo conceito nas práticas de trabalho no cotidiano das organizações. As organizações, até pouco tempo concebidas como entidades geográficas, passarão cada vez mais a serem entendida tal qual um espaço em rede, ou seja, um arranjo organizacional

físico-virtual de trabalho. Isto induzirá, conseqüentemente, a mudanças radicais na organização e cultura empresarial ficando cada vez mais difusa a distinção entre

empregado e auto-empregado, assim como a própria definição de local de trabalho.

Tais mutações nos ambientes empresariais em um contexto maior de globalização e de liberalização de mercados passa a ser o dia-a-dia das organizações. Por isto, para sobreviverem neste ambiente turbulento, as empresas estão procurando cada vez mais, respostas coerentes aos seus negócios, estruturas organizacionais e formas de trabalho.

O teletrabalho baseado em casa, a partir desta perspectiva, surge como uma interessante alternativa de gestão empresarial, sob o enfoque das opções de trabalho flexível para tornar as organizações mais competitivas e dinâmicas, diferentes daquelas outras que ainda estão acostumadas à estabilidade e à rotina do trabalho tradicional.

A idéia do teletrabalho, na realidade não é nova. Ela começou a ser usada em formas primitivas durante anos por vendedores e representantes comerciais, que visitavam seus clientes em locais diferentes do local de trabalho.

Logo, o que realmente é novidade nesta área da organização do trabalho, tanto no setor público quanto no privado, e, independente do tamanho da empresa, são as redes de telecomunicações e das tecnologias da informação, de custo razoável e com alta performance organizacional, que se tornaram parceiras constantes e fundamentais na gestão das organizações bem sucedidas.

A partir das tecnologias da informação e de comunicação ocupando a distância física entre os colaboradores de uma mesma organização e entre seus empregados e clientes, verificou-se a necessidade de se identificar novas fronteiras do que se entende por local de trabalho. De fato, a área física onde tradicionalmente se trabalha

não é mais uma entidade tangível com fronteiras bem definidas, baseadas em regras e observação visual do processo de trabalho.

TELETRABALHO E SUAS TENDÊNCIAS

As facilidades trazidas para o mercado de trabalho a partir dos avanços tecnológicos são, hoje, os principais indicadores de que precisamos com urgência rever o tradicional modelo da CLT, segundo a qual o trabalhador deve ter um local e horário fixos de trabalho e ser empregado de apenas uma empresa. Do outro lado da moeda, uma reunião entre pessoas de cidades e países diferentes já pode ser realizada ao mesmo tempo graças a uma simples videoconferência; conectar-se em tempo real com a economia do mundo j é possível por meio da internet; e trocar informações, independentemente da distância, tornou-se algo natural depois do correio eletrônico. Uma mesma pessoa pode realizar múltiplas tarefas para pessoas diferentes sem sair de casa.

Um bom exemplo das conseqüências dessa revolução tecnológica para o trabalho são os “home-offices”. Traduzindo ao pé da letra, “home-office” é o escritório em casa. Trabalhar em casa e abandonar os escritórios no centro das grandes cidades tem sido uma opção do funcionário comum que se sente atraído por receber acima dos níveis convencionais de emprego, reduzir custos (alimentação, transporte e aluguel, por exemplo), investir em qualidade de vida, definir o próprio horário de trabalho e até contribuir para melhorar o trânsito, diminuindo assim os congestionamentos e a emissão de CO2. Estima-se que hoje, no Brasil, ao redor de 10 milhões de pessoas trabalham em casa (Sobratt Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades).

Uma prova do crescimento dessa nova organização do mercado de trabalho pode ser obtida pela análise dos hábitos do consumidor. Hoje, cerca de 20% das pessoas que procuram um apartamento para comprar querem um “home-office”. A maioria das construtoras está direcionando seus negócios para esse mercado. Por outro lado, nos últimos anos tornou-se cada vez maior o número de pessoas que têm acesso a computadores com internet.

Dadas as características de uma empresa industrial que compra matérias primas, as transforma no processo produtivo, estoca e comercializa junto aos clientes, o teletrabalho baseado em casa ainda pouco se aplica ao pessoal de chão-de-fábrica. Ou seja, o trabalho a distância tem uma aplicabilidade maior junto aos colaboradores das atividades-meio que exercem tarefas de suportes às atividades-fim inerentes à cadeia produtiva da organização.

Por outro lado, têm-se as empresas comerciais, cujo escopo é intermediar a produção das indústrias, colocando seus bens produzidos junto aos clientes finais. É uma atividade essencialmente de comprar produtos, estocar e vende-los. Nesse tipo de organização o corpo de vendedores externos tem alta aplicabilidade do teletrabalho baseado em casa, com atividade, por exemplo, de extrair pedidos e enviá-los on-line pelos notebooks, palmtops ou celulares, evitando deslocamentos físicos até a sede da empresa gerando, com isso, uma alta produtividade em suas atividades comerciais.

Em contrapartida, as empresas prestadoras de serviços, cujo principal ativo (capital humano representado pelos seus colaboradores) entra e sai da organização diariamente, tende a naturalmente ser a atividade mais propícia ao teletrabalho baseado em casa. O fato dos colaboradores deste tipo de organização (empresas de consultoria, engenharia consultiva, agências de publicidade e propaganda e afins) exercerem atividades intelectuais, criativas e demais trabalhos especializadas torna-os candidatos naturais a exercerem atividades profissionais à distância inteiramente livres de supervisão direta de seus superiores hierárquicos.

Contudo, existem diversas formas de teletrabalho que variam principalmente quanto ao local onde é exercido o trabalho:

1) colaborador em seu domicílio (“home-office”). É o trabalho que o indivíduo realiza em seu próprio lar. Nesta modalidade, alguns teletrabalhadores passam todo o tempo em seus domicílios, enquanto outros dividem o seu tempo entre sua residência e o escritório. É a modalidade em que se pensa primeiro, quando se fala em teletrabalho, talvez por ter sido a primeira a ser teorizada e implantada. Esta modalidade admite o teletrabalho:

- em tempo parcial, ou seja, um período em casa e outro na empresa (teletrabalho baseado em casa);

- em tempo integral, para um único empregador;

- autônomo free-lance, para vários clientes ou empregadores;

2) o teletrabalho pendular onde o colaborador trabalha alguns dias em sua residência e outros na sede da empresa;

3) escritório da vizinhança ou centro local. São conjuntos de escritórios onde existem várias empresas e atendem aos empregados que moram nas proximidades de onde estão localizados os centros;

4) trabalho nômade (quando o colaborador exerce as suas funções em trânsito nos próprios clientes). É itinerante, tal como os funcionários da área de vendas. Esta modalidade encontra-se em muitas organizações e apresenta o maior número de características do teletrabalho;

5) escritórios satélites, que pertencem à própria organização e que abrigam atividades específicas fora da organização central. Escritórios satélites parecem muito com um escritório tradicional. Porém, a diferença básica entre ambos escritórios consiste no fato de os que trabalham no escritório satélite moram próximo ao local, independente do seu cargo, área ou setor. Nesta configuração, se a empresa possuir vários escritórios satélites poderá ocorrer de um mesmo departamento estar dividido em diversas unidades;

6) Hoteling. É usado freqüentemente na sede da empresa por profissionais que não precisam de uma mesa no escritório fixo, mas apenas de um local a ser utilizado, talvez, uma vez por semana, onde possa receber correspondência, estar em contato com o banco de dados principal da empresa ou receber um cliente num encontro face a face.

O TELETRABALHO NO MUNDO

Trabalhe sem sair de casa. Esta é a oferta tentadora trazida por milhares de notícias nos jornais e dos apelos publicitários com referencias aos congestionamentos no

transito, que invadem ruas e lares, por correio, e-mail ou televisão. A evolução e o barateamento dos serviços online, além do momento em que se encontra o mercado de trabalho e o comércio mundial, estão contribuindo para o maior interesse pelo trabalho à distância.

Nos Estados Unidos, a quantidade de trabalhadores que trocaram as roupas formais e os cartões de ponto para se tornarem teletrabalhadores - profissionais que trabalham em casa, usando computador ou telefone, não necessariamente todos os dias da semana-já chega a 21 milhões e representa 18% da força de trabalho.

No Brasil, gerentes e diretores ainda precisam se habituar a comandar funcionários que não estão presentes fisicamente.

Não é preciso ser autônomo para ser um teletrabalhador. O profissional precisa ter um mínimo de infra-estrutura, como um computador, fax e telefone, além de softwares de controle de tarefas e ferramentas de comunicação, como e-mail e messenger, por exemplo. Algumas empresas oferecem equipamentos e arcam com os custos de internet e telefonia do funcionário virtual.

As empresas tais como, Dell, Xerox e Shell já utilizam o trabalho à distância, e empresas menores já demonstram interesse, principalmente com a redução dos custos. Existem empresas que trabalham 100% virtualmente e outras que podem ter parte do pessoal operando nessa modalidade.

A principal vantagem nesse tipo de estratégia é a redução de custo, pois, elimina-se gastos com transporte, alimentação, aluguel ou compra de uma sala, mesas, cadeiras, computadores, armários, limpeza, taxas, luz, condomínio, telefone, enfim, todos os gastos necessários para manter um escritório. Com essa economia, muitas empresas optam por melhorar a remuneração de seus funcionários, visando obter maior produtividade.

Desta maneira, não somente as empresas têm vantagens, como também os profissionais, já que gastam menos roupas, não vivem o estresse dos engarrafamentos e/ou até assaltos, além de contar com a flexibilidade dos horários e poder ficar mais tempo com a família.

No entanto, não é uma medida simples de ser tomada. O trabalho precisa ser bem distribuído e acompanhado, e, exige investimentos com softwares para administrar todo o processo, além de treinamento diferenciado ministrado aos gerentes, para sensibilizá-los na gestão das pessoas que não vão mais ao escritório todos os dias. Neste particular, é preciso que se tenha em mente que o que interessa são os resultados e a qualidade do trabalho.

A modalidade é vantajosa, mas antes de adotá-la é necessário levar em consideração o perfil das atividades da empresa para avaliar quando e como operar à distância.

Foi pensando em reduzir custos que a Pontnet (www.pontonet.com.br), empresa do

Rio de Janeiro, especializada em consultoria e estratégia para internet, resolveu em

2000 fechar as portas do seu escritório em Copacabana, e começou a trabalhar virtualmente.

A Pontonet faz manutenção de websites para grandes clientes, além de produzir informativos eletrônicos, desenvolver projetos de comunidades virtuais, ministrar treinamentos para melhorar a fluência digital de usuários e prestar consultoria em tecnologia.

Cada membro da equipe trabalha em casa, gerenciado pelo software E-trabalho, desenvolvido pela própria empresa, que permite que todos se relacionem pela internet. Atualmente, conta com uma equipe de cinco pessoas, sendo duas alocadas dentro de um dos clientes, três em casa, entre eles o coordenador.

A empresa preferiu investir os recursos em software e jogar fora pela janela os custos fixos desnecessários", comenta Carlos Nepomuceno, diretor-executivo da Pontonet e jornalista que escreve artigos especializados na área. O bom exemplo rendeu à Pontonet uma doação de R$ 400 mil da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) para finalizar módulos do software ICOX, gerenciador de projetos de inteligência coletiva em comunidades virtuais e disponibilizar a versão gratuita do software.

Porém, não são todas as pessoas que têm perfil para trabalhar à distância. É preciso ter iniciativa, disciplina e forte senso de responsabilidade, onde algumas profissões são mais adaptáveis, como por exemplo, quem trabalha com metas e prazos, e principalmente das áreas de informática, administração, jornalismo, publicidade, marketing, vendas, direito, engenharia e arquitetura.

O problema maior apontado por muitas pessoas que optaram por se tornarem teletrabalhadores é a solidão profissional. Em alguns casos é necessário um mínimo de interação pessoal para não causar um isolamento social, que pode ser resolvido com reuniões semanais na sede da empresa, por exemplo.

Para que o trabalho flua, as empresas usam e-mail para solicitar tarefas para seus funcionários. No caso de projetos com preço fechado, com o desenvolvimento de um software ou de um website, é preciso contratar a equipe por tarefa. Assim é importante vincular a remuneração ao trabalho realizado e estabelecer os pontos de controle e monitorar para saber se estão sendo cumpridos.

Portanto, trabalhar a partir de casa pode ser ótima solução para profissionais autônomos e funcionários de empresas, porque reforça o moral e a satisfação no emprego e reduz o estresse.

Em uma análise de 46 estudos sobre pessoas que trabalham em casa, os pesquisadores constataram que trabalhar longe dos escritórios por meio de computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos pode ser mais positivo do que negativo para as pessoas e as companhias que as empregam. Os resultados demonstram que trabalhar de casa tem um efeito geral benéfico, porque o sistema oferece ao trabalhador mais controle sobre a forma pela qual realiza seu trabalho ( Gajendran, Universidade Estadual da Pensilvânia). Trabalhar de casa parece ter alguns efeitos modestamente positivos sobre o moral do trabalhador, quanto ao equilíbrio entre trabalho e vida familiar e com relação ao estresse. Gajendran e David Harrison, que publicaram o resultado de seu estudo na Journal of Applied Psychology, pesquisaram dados sobre 12.833 pessoas que trabalham fora do escritório de suas empresas.

Trabalhar de casa vem sendo uma tendência em alta nos Estados Unidos desde cerca de 2000. No ano passado, havia cerca de 45 milhões de norte-americanos trabalhando em casa, ante 4 milhões em 2003, de acordo com a revista WORLDATWORK.

Gajendran acredita que o número continuará a crescer à medida que se expande o acesso a serviços de banda larga.

Ao longo dos dois últimos anos, houve uma alta, especialmente no número de pessoas que trabalham em casa regularmente. Por regularmente entende-se as pessoas que o fazem ao menos uma vez por mês. A alta desse indicador foi de quase

60 por cento.

Ainda que algumas empresas e funcionários temam que trabalhar de casa possa prejudicar perspectivas de carreira ou abalar as relações com colegas e chefes, os pesquisadores não encontraram provas que sustentassem essa interpretação.

Trabalhar a partir de casa em termos gerais não tem resultado relacional negativo, ao contrário da crença mais comum (Gajendran)

Na Europa, o número de teletrabalhadores praticamente dobrou nos últimos 3 anos, alcançando a marca de 21 milhões em 2005, que trabalham em casa ao menos um dia ao mês e no Japão, 10 milhões (Revista Vencer). Nos EUA há duas estatísticas: uma realizada pelos US Bureau of Census que considera como teletrabalhadores baseados em casa apenas as pessoas que trabalham pelo menos três dias por semana em suas residências, registrando 3,3% da população, com 4,2 milhões de pessoas. Segundo a Current Population Survey (CPS), no levantamento das pessoas que trabalham em casa pelo menos uma vez por semana, esse volume atingia 20 milhões em 2001.

Nos Estados Unidos, entre os anos de 1999 e 2002, ao redor de metade dos gerentes da empresa AT&T, trabalhava em suas casas uma vez por mês, um quarto trabalhava uma vez por semana e 10% em um escritório virtual “full-time”. Dentre os setores que nos Estados Unidos estão adotando este sistema, destacam-se as seguintes áreas: telecomunicações, informática, seguros, consultorias de empresas, auditorias, serviços públicos, propaganda, publicidade, universidades, gás natural, etc.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2003) registrou que 5% da população trabalhadora brasileira exerce sua atividade exclusivamente a domicílio, um total de quase quatro milhões. Uma pesquisa realizada no município de São Paulo foram identificados

como teletrabalhadores baseados em casa 15% da amostra (SILVA,

2003). Outra pesquisa (Tachizawa e Mello, 2003) revelou que o teletrabalho no Brasil, vem sendo adotado majoritariamente na área de vendas (57,5%). A literatura consultada aponta que muitas empresas eliminaram por completo o escritório para o pessoal de vendas. No entanto, deve-se considerar que 42,5% atuavam fora desta área, sendo 23% em consultoria e 19,5% em outras funções. Pode ser que a área de vendas pelas suas características tem sido a primeira a usufruir o teletrabalho, com possibilidades futuras de ser ampliado para outros processos da empresa. Neste sentido, alguns desafios se colocam na gestão do colaborador virtual. De acordo com os especialistas, este número pode crescer particularmente tendo as casa como sede da empresa, com também o uso do teletrabalho, no exercício das atividades profissionais. Embora dados sobre o crescimento de número de teletrabalhadores no Brasil não estejam disponíveis de forma sistematizada, o grande número de matérias jornalísticas sobre o assunto indica que possa estar surgindo uma demanda por uma nova tipologia residencial.

Outros estudos relacionados ao perfil do teletrabalhador têm sido publicados. Tais estudos mostram que essa modalidade tem sido praticada em diversos níveis de

renda, podendo ser baseado na informação, intelectuais, mas também sob a forma de trabalhos artesanais (LAVINAS, SORJ, LINHARES e JORGE, 1998). Longe de ser considerado como um modismo, o teletrabalho é uma realidade no Brasil onde, de acordo com a SOBRATT-Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades, organizações de diferentes setores econômicos, o praticam, de maneira formalizada ou não, destacando-se empresas sejam nacionais ou estrangeiras, tais como: Semco, Siemens; W/Brasil; AT & T; Dupont; Price Waterhouse Coopers; Kodak; Cisco System

; Anixter ; IBM ; Natura ; Shell ; SSA ; Movicarga ; Bayer; WEG , Ticket , Sun

Microsistems, Dell, Cargill, Nortel, e Google dentre outras.

Na década de 80, o trabalho a distância foi apontado como uma tendência irreversível nas empresas. Imaginava-se que, com a evolução da tecnologia, as companhias teriam fortes razões para permitir que seus funcionários trabalhassem em casa: eles não padeceriam no trânsito e não perderiam tempo jogando conversa fora ao lado do bebedouro. Assim, produziriam mais e melhor. Menos gente nos escritórios também significaria redução nos custos fixos em aluguéis e equipamentos. Nos anos seguintes, porém, o cenário inexorável do teletrabalho não só deixou de se concretizar com o impulso esperado como começou a ser visto como algo temerário para o equilíbrio familiar dos profissionais, e para o desempenho das próprias companhias, que teriam sua coesão cultural ameaçada. Quase duas décadas depois, aos poucos a idéia volta a fazer sucesso no mundo corporativo. Durante muito tempo, o teletrabalho esbarrou no modo descuidado com que as empresas procuravam implementá-lo. Agora as companhias estão descobrindo que ele pode ser uma boa solução, desde que adotado com cautela.

A Ticket, braço de serviços do grupo Accor, é uma das empresas que apostaram recentemente no teletrabalho. O alvo foi a área comercial, pois a empresa precisava aumentar a presença no país e, ao mesmo tempo, reduzir ao máximo os investimentos em estrutura física. Como conseqüência da adoção deste novo modelo de trabalho foram fechadas as filiais de 17 cidades e, do total de 96 vendedores e gerentes de vendas em todo o país, 42 passaram a usar a infra-estrutura tecnológica montada pela empresa em suas casas. Embora gastassem a maior parte do dia na rua visitando clientes, esses profissionais perdiam tempo indo e vindo ao escritório para realizar tarefas burocráticas, como por exemplo, encaminhar relatórios e pedidos. A elaboração e a implantação do projeto custaram à Ticket 400 000 reais.Contudo, a economia com a redução dos custos operacionais chegou a 2 milhões de reais. Mas o principal benefício foi o aumento da produtividade -- desde o início do projeto, as vendas da equipe remota aumentaram 76%, e o volume de contratos fechados, 40%.

Para chegar a esses resultados, a Ticket precisou treinar os funcionários para a mudança, ao orientar os chefes para conversar com as equipes e monitorar aqueles que podiam ser resistentes ao processo. Houve também uma preocupação de que os profissionais tivessem tempo para se acostumar com a nova rotina. Por outro lado, os executivos envolvidos neste projeto também se cercaram de cuidados para evitar que funcionários fossem vítimas de alguns perigos que rondam o teletrabalho, pois segundo os especialistas, esta modalidade de trabalho se mal implantada, pode alienar os profissionais. Neste sentido, o isolamento social é algo com que as empresas têm mesmo de se preocupar. A receita para minimizar este risco é incentivar as equipes a criar rituais para continuarem se encontrando presencialmente,ou seja , que os funcionários possam ter dia e hora certos para discutir problemas, trocar idéias e fofocar, como por exemplo, criando uma rotina de almoço com seus pares às sextas-feiras. Vale salientar que, o contato com os colegas é essencial, muito embora se reconheça que normalmente no escritório ele acaba sendo uma boa fonte de dispersão.

Contudo, os vendedores da Ticket não são os únicos seduzidos pelas vantagens do trabalho a distância. No Serpro, órgão responsável pelo processamento de dados do governo federal, 23 funcionários de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo participaram de um projeto piloto de teletrabalho, considerado pioneiro na administração pública federal. Assim como a Ticket, o Serpro precisou acrescentar um termo aos contratos de trabalho explicitando as mudanças, uma forma de evitar processos na Justiça do Trabalho. Também para se prevenir de problemas trabalhistas, a intranet do órgão é bloqueada se o funcionário exceder as 40 horas semanais permitidas na frente do computador. Iniciativas como as da Ticket e do Serpro ainda parecem acanhadas quando comparadas às de empresas européias e americanas. Na Sun Microsystems, nos Estados Unidos, quase 50% dos funcionários trabalham em casa. Na Agilent, outra empresa de tecnologia, 70%. Os 42 funcionários da Ticket que trabalham em casa representam menos de 5% dos empregados da empresa,porém, essas comparações devem ser feitas com ressalvas, pois o Brasil ainda está neste sistema distante desses países,porém, já no caminho correto.

CONCLUSÕES

O teletrabalho baseado em casa vem se difundindo não só no Brasil, mas em diversas partes do mundo, principalmente em razão da utilização de inovadores recursos em telecomunicações e tecnologias da informaçãoe da busca da gestão sustentável.Desta forma, profissionais, técnicos e trabalhadores em geral, instalados em suas casas, em escritórios virtuais ou em outros espaços alternativos da própria organização, dispondo de equipamentos que os mantém conectados com a organização ou com uma rede de trabalhadores com os quais cooperam, podem processar informações (tarefas burocráticas e administrativas normalmente feitas nos escritórios da organização), produzir idéias, desenvolver pesquisas e demais atividades rotineiras e intelectuais.

Portanto, não se deve esquecer que o teletrabalho consubstancia o ato de exercer atividades que podem ser realizadas em um domicílio ou algum local intermediário, visando a competitividade e flexibilidade nos negócios. Vive-se num século onde impera a globalização, a liberalização dos mercados e outras alterações ambientais que, para sobreviverem neste ambiente turbulento, exigem das organizações alternativas viáveis para os seus negócios, estruturas organizacionais e formas de trabalho flexíveis. Dentro deste contexto de mutações, existem profissionais que perceberam a relevância das inovações nas organizações, como é o caso do teletrabalho.

Por outro lado,muitas das desvantagens apontadas ao teletrabalho, em geral, se referem, ao teletrabalho feito em casa, realizado por um profissional em período integral, normalmente pouco qualificado, que presta serviço para um empregador exclusivo, em condições contratuais ambíguas ou claramente desfavoráveis para o trabalhador. Ora, essa forma de teletrabalho não representa, na atualidade, nem a única nem a forma mais adequada de teletrabalho. Logo, novos estudos são requeridos para conhecer melhor a realidade que cerca o sistema de teletrabalho, o contexto organizacional virtual em que estão instalados e quem exerce a atividade remota.

Contudo, o grande desafio que se apresenta ao sistema de teletrabalho é a sua gestão dos aspectos comportamentais. De uma forma geral, as empresas proporcionavam uma infraestrutura adequada, até por que sem isso não haveria trabalho. Porém, os teletrabalhadores ressentiam-se de um sentimento de isolamento, falta de convivência pessoal com colegas de trabalho, falta de colaboração de seus pares . A comunicação virtual para quem trabalha em casa, pode requerer outras habilidades ainda a serem mais bem estudadas, para as quais ainda não se têm respostas adequadas.

Álvaro A. A. Mello

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TELETRABALHO - O TRABALHO EM QUALQUER LUGAR E A QUALQUER HORA…

As alterações ambientais são uma realidade e, para sobreviverem neste ambiente turbulento, as organizações estão buscando alternativas viáveis para os seus negócios, estruturas organizacionais e formas de trabalho.

Vive-se num século que está chegando ao fim sem precedentes : duas guerras mundiais, a Glasnost, a Perestroika, a queda do Muro de Berlin, a Globalização e a liberalização dos mercados As alterações ambientais são uma realidade e, para sobreviverem neste ambiente turbulento, as organizações estão buscando alternativas viáveis para os seus negócios, estruturas organizacionais e formas de trabalho.

Vive-se num século que está chegando ao fim sem precedentes : duas guerras mundiais,. Contudo, parte deste mundo conseguiu recuperar-se. A razão principal é que algumas pessoas que dirigem organizações mantiveram o sentido de responsabilidade e continuaram a pensar no futuro, enquanto que em volta delas o „mundo parecia desmoronar-se‟.

Dentro deste ambiente de mutações, existem profissionais que perceberam a relevância das inovações nas organizações, como é o caso do teletrabalho.

A partir desta perspectiva, surge o Processo de Teletrabalho, como uma alternativa moderna de gestão empresarial, sob o enfoque das alternativas de trabalho flexível para tornar as empresas mais competitivas e dinâmicas, diferentes daquelas outras que ainda estão perigosamente acostumadas à estabilidade e à rotina do trabalho tradicional.

Contudo, há alguns princípios essenciais para que o teletrabalho funcione. Nenhum deles é particularmente difícil ou revolucionário; são simplesmente boas práticas gerenciais tais como: seleção cuidadosa do pessoal que trabalha à distância, estruturação de ambientes e tecnologia de trabalho apropriados, além de suporte adequado de telecomunicações, estabelecimento de um conjunto de procedimentos de avaliação que privilegiem o desempenho, treinamento do pessoal que trabalha à distância assim como seus colegas de trabalho e, verificação frequente do andamento do trabalho.

Vale salientar que esta modalidade de trabalho, para muitos funcionários, pode ser um conceito novo, mas não é um estilo de trabalho sem precedentes. Vários funcionários de grandes organizações públicas e privadas já trabalham remotamente em instalações da empresa ou em regionais: gerentes de obras, vendedores, engenheiros de campo que trabalham fora do escritório, com graus variados de contatos com seus supervisores.

O Ambiente Propício Para o Teletrabalho

O que é que AT&T e a American Express têm em comum? Serviços de classe Mundial? ISO 9000, ISO 14000? Uma linha de serviços competitivos? Excelente atendimento ao cliente? Tecnologia avançada? Não necessariamente nenhuma dessas razões, mas sim o fato de serem ambas empresas que implantaram, com sucesso, o Processo de

Teletrabalho, utilizando recursos tecnológicos nas áreas das telecomunicações e informática.

Vale salientar que o uso das telecomunicações no teletrabalho não é considerado algo totalmente inovador, pois, segundo Joel Kugelmass*, há indicadores do seu surgimento nos Estados Unidos em 1857, na companhia Estrada de Ferro Penn. Nesta época, a empresa usava o seu sistema privado de telégrafo para gerenciar o pessoal que estava distante do escritório central, ao ser delegado aos funcionários o controle no uso de equipamento e na mão de obra. Em outras palavras, a organização seguia o fio do telégrafo e a empresa acabou por transformar-se num complexo de operações descentralizadas.

Logo, o que realmente é novidade nesta área da organização do trabalho, tanto no setor público quanto no privado, e, independente do tamanho da empresa, são as redes de telecomunicações, de custo razoável e com alta performance organizacional, que se tornaram parceiras constantes e fundamentais na gestão das organizações bem sucedidas.

A partir do sistema de informação e de comunicação ocupando a distância física entre os funcionários de uma mesma organização e entre funcionários e clientes, verifica-se a necessidade de se identificar novas fronteiras do que se entende por local de trabalho.

De fato, a área física onde tradicionalmente se trabalha não é mais uma entidade tangível com fronteiras bem definidas, baseadas em regras e observação visual do processo de trabalho.

Nesta linha de raciocínio temos agora, dentro desta visão ampla e integrada, os processos gerenciais, convivendo com o trabalho remoto, eletronicamente gerenciado.

Consequentemente, a empresa não deve ter mais expectativas neste processo de mudanças gerenciais, ao dispor de funcionários que chegam ao local de trabalho na hora marcada e ocupando suas funções pré-estabelecidas em suas mesas cativas ou salas próprias.

Face a esta inovadora abordagem do teletrabalho, é necessário entender que na moderna empresa, a estrutura organizacional, a estratégia, a cultura, os papéis e os processos estão interligados entre si, exigindo um novo alinhamento, equilíbrio e harmonia organizacional. Portanto, as questões centrais das organizações estão mudando e têm como fatores críticos para o sucesso do teletrabalho, o gerente, o supervisor e o funcionário.

Logo, saber quando e em que função adotar o teletrabalho é tão importante quanto saber onde não adotá-lo, pois já existe uma tecnologia de informação consistente e versátil para apoiar o trabalho fora do escritório, mas ainda não existe a visão administrativa necessária para gerenciá-lo.

Portanto, não devemos nos esquecer que o teletrabalho consubstancia o ato de exercer atividades que podem ser realizadas em um domicílio ou local intermediário, visando a

 

competitividade e flexibilidade nos negócios. Dessa forma, apontam-se como aspectos favoráveis desse processo, além de concentração de esforços (focalização): maior capacidade de adaptação às mudanças ambientais; estímulo para as organizações analisarem a sua implantação com vistas a melhorar a produtividade e reduzir os custos com espaço e o absenteísmo; alavanca a tecnologia e os investimentos em pessoal, e assim, obtendo uma força de trabalho mais eficiente e confiável. Dentre os setores que nos Estados Unidos estão adotando este sistema, destacam-se as seguintes áreas: telecomunicações, informática, seguros, consultorias de empresas, auditorias, serviços públicos, propaganda, publicidade, universidades, gás natural etc.

No Brasil, sobressaem-se na adoção deste recurso organizacional, empresas tais como: Kodak, Dupont, IBM, Cisco, Movicarga, Proudfoot Brasil etc.

Vale salientar que a utilização do teletrabalho nas empresas independe do seu tamanho pois, encontramos sua aplicação em organizações com 20 ou com 20.000 funcionários.

Tendo em vista que o propósito do teletrabalho é, em primeiro lugar, oferecer uma melhor resposta às empresas para enfrentar as pressões do mercado e, em segundo, constituir um elemento-chave para o desenvolvimento estratégico das organizações, sua implantação deve levar em conta a seguinte precaução: evitar apenas visar redução de custos, com corte de pessoal. Assim, ao se adotar o teletrabalho dentro dos padrões aconselhados, ele se torna um instrumento que beneficia a empresa, o empregado e a sociedade concomitantemente.

Vale salientar que particularmente na área de Recursos Humanos, como em outras áreas do conhecimento administrativo, o teletrabalho é ainda um conceito de certa forma novo e pouco conhecido no Brasil, já tendo causado confusão terminológica e alguns mal entendidos e, consequentemente, má implantação nas organizações.

Para obter a compreensão correta do termo Telecommuting e para evitar estes ruídos na comunicação no seu entendimento, apresentamos a seguir algumas palavras chave, em inglês, utilizadas no contexto do ensino e na prática do comportamento organizacional no que diz respeito as alternativas para o trabalho.

É fundamental ressaltar que nos principais idiomas europeus (alemão, espanhol, italiano, francês), incluindo o português, não há nenhum termo equivalente para a palavra inglesa “commuting” (ida e volta de casa ao trabalho), de onde se derivou a palavra “telecommuting”. Daí a razão de utilizarmos também a expressão “telecommuting”, no original em inglês, cujo termo correspondente português mais próximo é o teletrabalho.

ALVARO MELLO

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A Educação a Distância no Brasil (2001 a 2006)

Partindo-se do pressuposto de que a educação a distância é entendida como a utilização de tecnologias que apóiam os vários processos de ensino/aprendizado, constata-se que no Brasil, particularmente nas décadas de 50 a 80, com o surgimento da televisão, dos computadores, videocassetes e das videoconferências por satélite, algumas iniciativas de ensino a distância começaram a utilizar essas tecnologias.

Contudo, foi somente nos anos 90, com a utilização dos computadores para acessar mídias tradicionais como o CD-ROM e/ou DVD-ROM, CBT (Computer Based Training), e com o uso de outros dispositivos eletrônicos como celulares, PDAs, TVs interativas para acessar Intranet, Internet ou Extranet (WBT – Web Based Training), assim como as sessões de videoconferências, é que realmente a educação a distância se desenvolveu no mercado brasileiro executivo e de ensino superior.

De acordo com a empresa MicroPower (micropower.com.br), uma das mais conceituadas organizações  especializadas  em  educação  a  distância  no  Brasil,  Embratel,  Bradesco, Datasul, Petrobras e Fundação Vanzolini se destacam como referências pioneiras que utilizaram essas tecnologias. Vale salientar que, em 2001, a realização do primeiro Congresso e-Learning Brasil, também organizado pela MicroPower, possibilitou a troca de experiências, de lições aprendidas e das melhores práticas entre as várias organizações que implantaram programas de educação a distância.

Já consolidado como referência nacional na área da educação a distância, o Prêmio e-Learning Brasil (www.elearningbrasil.com.br), que premia os melhores cases de implantação de EAD, contemplou em 2006 dez empresas vencedoras, dez empresas que são referências nacionais e três contribuições consideradas marcantes no setor. No grupo das vencedoras, entre 71 participantes, foram premiadas as seguintes empresas: Brasil Telecom, Martins, Fundação Bradesco, Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, Banco Bradesco, FGV Online, FGV-EAESP, Colégio Presbiteriano Mackenzie e Senai Departamento Nacional. Como referências nacionais pelos trabalhos de implantação de programas de educação a distância, foram premiadas as seguintes empresas: Telemig

Amazônia Celular, Datasul, Sabesp, PUC-SP, Orbitall, Unibanco, SAP, Sebrae-SC, IBMEC-SP e SKY. As organizações Treina E-learning, Fanese e Instituto Razão Social foram agraciadas como contribuições marcantes.

Neste contexto, a partir de levantamentos feitos com os participantes do e-Learning Brasil, chegou-se às seguintes constatações com respeito aos investimentos, benefícios e principais fatores-chave de sucesso, e às melhores práticas e lições aprendidas nas organizações e instituições de ensino que participaram do prêmio em 2006 (fonte: Anuário e-Learning Brasil 2006):

Quanto aos investimentos em EAD e respectivos benefícios:

• O total dos benefícios acumulados em 2005 já superou R$ 1 bilhão e o retorno dos investimentos, de R$ 464 milhões, ocorre em menos de seis meses. Em 2005, constatou-se que houve um crescimento de 65% nos investimentos em educação a distância. Considerando o crescimento médio de 40% ao ano, estima-se que em 2010 os benefícios totais poderão superar R$ 6,5 bilhões, e os investimentos, R$ 3 bilhões (www.elearningbrasil.com.br/home/brasil/index.asp).

• Considerando as mais freqüentes razões de negócios que vêm justificando esses investimentos em EAD, eles têm gerado, tanto nas empresas quanto nas instituições de ensino superior no Brasil, os seguintes benefícios: a melhoria das vendas, dos resultados e do índice de satisfação dos clientes; o controle e a redução de custos; princípios de governança e contribuição social; a contratação, o autodesenvolvimento e a retenção do capital humano.

• Os investimentos feitos em EAD (2005) se distribuem em três componentes principais: conteúdo, tecnologia e serviços. No Brasil, de modo semelhante à tendência mundial, observa-se o crescimento de 48% dos investimentos em conteúdos (46% em 2004), e de

29%, em serviços (24% em 2004), além da redução de 23% em tecnologia (30% em 2004), que se justifica, em grande parte, pela adoção da modalidade sob demanda ou ASP (Application Service Provider) e pela terceirização (Business Process Outsourcing).

Quanto aos fatores-chave de sucesso:

• Constatou-se que houve uma melhoria tanto no alinhamento às estratégias como no grau de engajamento do público-alvo, o que indica que os projetos de educação a distância estão apresentando amadurecimento em seus objetivos.

• Em relação às quatro etapas de um projeto de EAD, observou-se que as carências que mais  merecem  atenção  são:  engajamento  da  alta  administração,  familiaridade  do público-alvo com a tecnologia de ponta, definição e acompanhamento das métricas, cumprimento dos prazos na etapa de implantação, medição dos níveis de retenção e aplicação do conhecimento/habilidades, e medição do impacto do novo conhecimento/habilidade nos resultados dos negócios.

Quanto às melhores práticas e lições aprendidas pelas empresas:

• Alinhamento com a estratégia

“A disponibilização de conteúdos alinhados às estratégias de negócios da organização e, de forma aberta, para todos os funcionários é uma ação que consideramos acertada” (Bradesco).

• Avaliação dos resultados

“Orçamento, métricas e recursos devem ser constantemente avaliados” (Martins).

• Foco na pedagogia, não na tecnologia

“A tecnologia precisa ser entendida como meio de um projeto educacional” (Fundação Bradesco).

• Importância da metodologia e da gestão de mudanças

“É importante a definição clara dos papéis e atribuições de cada um dos participantes desde o início do projeto, incluindo dos componentes das equipes de planejamento e web até os orientadores, professores, monitores e alunos” (PUC-SP).

• Apoio ao projeto e ao aluno

“Os participantes têm à disposição uma equipe de tutores constituída por profissionais com  formação  e  atuação  na  área  de  administração  de  empresas,  capacitados  para auxiliar os participantes a resolver as suas dúvidas durante todo o período em que estiverem participando do programa” (Sebrae-SC).

• Continuidade e expansão

“Formamos   uma   cultura   de   treinamento   on-line   e,   hoje,   as   pessoas   realizam treinamentos de e-learning sem nenhuma restrição ou discriminação” (Orbitall).

 

• Envolvimento, patrocínio e valorização

“O Programa de E-learning deve ser implementado top-down, ou seja, seu sponsor deve ser o principal executivo da organização” (Martins).

• Garantia de infra-estrutura

“Um LMS flexível aderente às condições da empresa revelou-se uma ferramenta bastante útil. É importante que o software aceite customizações, tenha rapidez na implementação e no apoio (suporte técnico)” (Unibanco).

• Integração e estratégia

“Os alunos contam com a mídia impressa e digital, ou seja, todo o conteúdo dos cursos é disponibilizado na Internet, em papel na forma de apostilas, e também em CDs, permitindo o fácil acesso ao material dos cursos, em qualquer situação” (FGV Online).

• Gestão e planejamento

“Para o treinamento de clientes, foi desenvolvida uma ferramenta on-line capaz de medir o conhecimento dos usuários sobre nossos produtos. Esse processo é disponibilizado sem custos, com o objetivo de criação de um plano personalizado de aprendizado para o cliente. Com essa abordagem, conseguimos nos aproximar dos clientes, realizando processos de diagnóstico e construção de soluções customizadas de aprendizado” (Datasul).

A EAD no Ensino Superior Brasileiro

Comparando os dados de 2005 relativos aos cursos de graduação no ensino superior, na modalidade presencial tradicional houve um crescimento menor (7,55%), ao passo que os cursos de graduação a distância cresceram 76%. Em 2004, existiam 107 cursos superiores a distância; em 2005, esses cursos chegaram a 189, lembrando que, em 1999, não passavam de dez cursos. Com respeito à oferta de vagas, ocorreu também um crescimento: em 2004, havia 113.079 e, em 2005, existiam 423.411 vagas. O número de candidatos para essa quantidade de vagas passou de 50.706 para 233.626, ou seja, quatro vezes mais.

Esse dado revela muito mais do que o simples crescimento da EAD no Brasil, pois mostra que, apesar do bom desempenho das instituições de ensino superior que investiram nesse tipo de ensino/aprendizado, 71% das vagas ainda não são preenchidas pelos candidatos. Na realidade, tal quadro demonstra que o ensino superior a distância teve um grande crescimento  de  oferta  de  cursos  e  vagas,  mas  ainda  continua apresentando  um  baixo número de candidatos e, conseqüentemente, de matrículas.

Diferentemente dos cursos de graduação de natureza presencial, a modalidade EAD não é limitada pelos espaços físicos das faculdades. Nesse sentido, se os cursos de EAD tiverem um adequado suporte tecnológico e professores qualificados e em quantidade apropriada, poderão ser oferecidas mais vagas do que para os cursos presenciais tradicionais. Portanto, essa vacância existente significa muito menos um problema e, muito mais, uma expectativa de demanda pela EAD, podendo-se prever, a partir dessa hipótese, que esse mercado no País tende a um grande crescimento.

Álvaro Augusto Araújo Mello

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11 milhões de brasileiros já adotam teletrabalho

Atividades profissionais desenvolvidas sem a necessidade da presença física do trabalhador nas instalações da empresa conquistam cada vez mais adeptos

Trabalhar em casa, em meio ao sossego do lar, com a possibilidade de realizar as tarefas no momento em que achar conveniente tem se tornado uma escolha cada vez mais comum entre os brasileiros. Segundo Ana Manssour, diretora - presidente da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades (SOBRATT), o número de pessoas envolvidas neste tipo de atividade profissional chega à casa dos milhões.

“A partir do cruzamento de dados das pesquisas do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) e do Painel IBOPE/NetRatings, é possível estimar que mais de 11 milhões de brasileiros adotam alguma forma de teletrabalho, seja de maneira formal, informal, com ou sem vínculo de emprego, em turno integral, parcial ou eventualmente”, explica Manssour.

O conceito de teletrabalho parte do princípio de que o trabalhador pode desenvolver todo ou parte de seu trabalho a partir de qualquer local, desde que utilize as ferramentas tecnológicas disponíveis atualmente, tais como computador, acesso à Internet de qualidade, hardwares e softwares necessários para o desempenho das suas fun ções.

Em Bauru, profissionais de diversas áreas fazem a opção por trabalhar em seus domicílios. Elaine Bertone é redatora especializada em astrologia, trabalha em casa, mas tem um contrato com uma editora que é renovado a cada seis meses.

“Eu trabalho em casa há cerca de 12 anos ou mais. Acabei fazendo essa opção por perceber que a minha atividade profissional permitia essa alternativa, que naquele momento me pareceu bastante tentadora por duas razões: sempre gostei de muita liberdade, e trabalhar em casa me deixaria mais confortável. Além disso, eu tinha dificuldades para me concentrar no meu trabalho, fazendo parte da equipe de redação da empresa, devido à própria dinâmica que o ambiente de trabalho exige”, explica.

Extra em casa

José Tadeu de Oliveira Filho, jornalista, tem um emprego fixo que realiza na sede da empresa, mas aproveita o tempo livre para fazer outros serviços. “Tudo começou quando eu e um amigo de faculdade decidimos montar uma empresa virtual. Ele ficava em São Caetano e eu em Bauru. Fazíamos o serviço por skype e e-mail. Passado um tempo, desmanchamos a empresa e eu continuei com os contatos. Agora faço atualização de sites, revisão de livros, dentre outras coisas. Faz uns três anos que faço trabalhos extras em casa”, conta.

Samara Freitas da Silva é designer gráfica e também utiliza ferramentas tecnológicas para realizar trabalhos em casa. “Não tenho vínculo empregatício, consigo os trabalhos por indicação de amigos que trabalham na área. Funciona de modo simples: as pessoas entram em contato, me explicam o trabalho, eu faço algumas opções e mando por e-mail. Tenho a resposta do cliente, faço mudanças quando é pedido até chegar no resultado final. Dentre esses trabalhos já fiz logotipos, layouts para sites, folders promocionais, cartões de Natal”, diz.

Ana Manssour explica que a situação de informalidade é comum no País. “No Brasil, embora saiba-se que o sistema de teletrabalho é adotado por muitas empresas, na esmagadora maioria delas isso acontece informalmente, ou de maneira não oficial, e nem sempre de maneira planejada e estruturada. Isso ocorre por várias razões, entre elas o desconhecimento da jurisprudência que aprova o teletrabalho e por uma forte resistência cultural, tanto por parte dos gestores quanto dos próprios trabalhadores e da sociedade”, explica.

Segundo a SOBRATT, as áreas nas quais o teletrabalho é mais comum são tecnologia da informação, vendas e os setores de atendimento ao cliente ou tele-marketing. Isto ocorre devido à natureza destas atividades, que têm maior intimidade com a infra-estrutura tecnológica ou que exigem que o funcionário passe bastante tempo fazendo contato com clientes nas ruas.

 

Vantagens

Com tantos adeptos, é certo que o teletrabalho tem muitos benefícios. Ninguém melhor do que os profissionais que realizam esta atividade para enumerá-los.

Elaine vê como ponto positivo a liberdade na hora de realizar as tarefas. “A vantagem é que você certamente tem mais liberdade de ação, autonomia, e por ter a minha lua em Aquário, essa liberdade é fundamental para a minha criatividade. Nunca gostei de ser cerceada ou de me sentir vigiada, portanto, quem trabalha em casa acaba sendo o chefe de si mesmo”, diz.

José Tadeu atenta para os baixos custos. “Além de poder decidir meus horários, o custo é praticamente zero. Não tenho que me deslocar e o gasto que tenho com energia por causa do computador, eu provavelmente teria se estivesse à toa em casa”, explica.

Samara vê o trabalho que realiza hoje como uma oportunidade de conseguir montar um negócio mais tarde. “As vantagens são a comodidade de estar na sua casa, o horário flexível que você faz e a oportunidade de conseguir clientes fiéis para, um dia, abrir a própria empresa”, expõe.

Segundo Ana Manssour, há benefícios também para as empresas. “A empresa reduz significativamente os custos relativos a aluguel e manutenção de espaço físico, auxílio-transporte, auxílio-combustível e estacionamento. Há experiências e estudos que comprovam um aumento de produtividade dos funcionários de 30% a 60%, o que naturalmente se reflete na agilidade dos serviços prestados pela empresa, melhorando sua imagem no mercado e possibilitando ampliação da carteira de clientes e crescimento real da empresa”, pondera.

Desvantagens

Embora pareça irresistível a possibilidade de trabalhar em casa, quem faz este serviço vê algumas desvantagens. José Tadeu confessa que algumas vezes se atrapalha com as tarefas do dia-a-dia. “Meu escritório é o meu quarto. Por isso, às vezes acabo enrolando para fazer as coisas. Além disso, não é um ambiente apresentável para levar um cliente”, aponta.

Samara, que trabalha de maneira informal, fica insegura com a instabilidade do serviço. “A desvantagem está na instabilidade, não é como num emprego fixo em que você tem garantido seu salário todo mês”, diz.

Elaine alerta para a necessidade de se programar financeiramente e de ter disciplina. “Não tenho férias, décimo terceiro, nem fundo de garantia. Sou autônoma e como tal devo me programar para tirar férias e me disciplinar para ter uma reserva quando eu quiser sair de férias. Como chefe de si mesmo, você precisa ter muita disciplina para cumprir as suas metas de trabalho. Eu tenho um cronograma e sei que preciso trabalhar de 6 a 8 horas diariamente, porque do contrário não atendo às expectativas da empresa”, explica.

Para Ana Manssour, quando há o vínculo empregatício não há desvantagens, e sim obstáculos a serem enfrentados nesta fase de introdução do teletrabalho no País. “Os principais obstáculos são comporta mentais, especialmente quando não é realizado um trabalho prévio de sensibilização e capacitação nem acompanhamento dos funcionários no período de adaptação ao novo sistema de trabalho. É natural que, sem esses cuidados, os trabalhadores tenham dificuldades no que se refere a elaborar e manter uma rotina, a assumirem-se com maior autodisciplina, iniciativa, e estabelecerem limites para si e para a família no dia-a-dia de trabalho”, finaliza.