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1981 A 2004: 23 ANOS DO ENSINO DO EMPREENDEDORISMO NO BRASIL - ALGUMAS COMPARAÇÕES ENTRE A “VELHA ESCOLA” E “NOVA ESCOLA”

O empreendedorismo pode ser ensinado? Pode ser aprendido? Qual a pedagogia mais indicada? Estas dúvidas a despeito de ainda serem freqüentemente questionadas por professores, pesquisadores, empreendedores etc., na grande maioria das universidades brasileiras, são respondidas positivamente ao se reconhecer que o Empreendedorismo pode ser ensinado, haja visto a quantidade razoável de instituições de ensino superior que já estão incluindo em seus currículos, disciplinas que tem relação com a educação empreendedora.Contudo, isto não implica em assegurar que os alunos que participam nos cursos de empreendedorismo, por exemplo, serão melhores empreendedores porque estudaram esta matéria na faculdade. Por outro lado, ninguém pode também garantir o mesmo com respeito as outras disciplinas tais como, marketing, finanças, recursos humanos etc.Porém, já há comprovadas indicações de que os alunos que fizeram disciplinas na área do Empreendedorismo, obtiveram melhores desempenhos comparados com aqueles que não foram capacitados nesta área.Daí a razão deste trabalho, em propor uma pedagogia do empreendedorismo baseado nas principais experiências acadêmicas desenvolvidas no Brasil nos últimos 23 anos, nesta área do conhecimento gerencial, particularmente ao adotar os enfoques e diretrizes da “Nova Escola” do Empreendedorismo

Alvaro Augusto Araújo Melo

A Emergência do tema Empreendedorismo na literatura gerencial

Um dos mais importantes marcos da história do pensamento da Administração está relacionado com a emergência de uma área temática cujo objeto de estudo transcende a abordagem das habilidades relacionadas com a capacitação e o aperfeiçoamento nas áreas funcionais da organização - marketing, finanças, produção, recursos humanos, etc.

Esta nova área temática tem como referência básica, o estudo e a pesquisa aplicada das características que conformam o perfil e o comportamento daquele que é o agente de transformação no âmbito da sociedade e da organização, procurando, desse modo, desenvolver novas tecnologias gerenciais de forma a instrumentalizá-lo para o eficaz desempenho de um papel de liderança na formulação e implementação do processo de mudança planejada.

A primeira referência que se faz necessária para a contextualização do empreendedorismo, vincula-se a sua própria denominação na língua portuguesa, na medida em que os termos “entrepreneur” e “entrepreneurship” com os quais são denominados internacionalmente, ainda não estão plenamente condensados quanto a sua tradução.

Autores como o saudoso Prof. Carlos Jose Malferrari da EAESP-FGV, propõe que a tradução destes

termos seja empreendedor para “entrepreneur” e empreendedorismo para “entrepreneurship”.

Considerando estas alternativas de tradução, adotamo-las como referência as proposições também sugeridas pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Empreendedorismo (ABREM), cuja missão é a de congregar os especialistas de todo o país para o estudo e pesquisa desta temática, que recomenda o termo empreendedor para aquele que é o seu objetivo de estudo, assim como o termo empreendedorismo como o mais adequado para a denominação desta área de estudo da Administração.

As origens do Empreendedorismo

O surgimento do Empreendedorismo como um novo modelo de gestão aplicável às organizações, ocorre no período de transição para um novo estágio da nossa civilização, ensejando mudanças estruturais em todos os seus setores relevantes (economia, política, cultura, educação, etc.).

Recorrendo-se ao conceito de ondas do futuro proposto por TOFFLER(1980) , os anos 70 delimitam a transição da Segunda Onda (ou a Era da Revolução Industrial) para a Terceira Onda (a Era da Revolução da Informação), significando uma mudança estrutural de paradigmas relacionados com as relações sociais em seus diversos aspectos (econômico, tecnológico, político, educacional, cultural, etc.).

Esta transição que vem ocorrendo no atual estágio de nossa civilização, há de ser conceptualizada na perspectiva de um processo de mudança que entroniza a ciência e a tecnologia como uma força produtiva direta e determinante de um novo padrão de acumulação na economia capitalista.

Este amplo e inesgotável processo de mudança que estamos vivenciando desde os anos 70, possibilita o surgimento de duas novas categorias de análise na economia e na gestão empresarial: a economia empreendedora e a gestão empreendedora.

Por economia empreendedora entende-se todo um processo de reordenamento das relações até então prevalecentes entre os agentes econômicos típicos da Sociedade Industrial - a hegemonia da grande empresa; a valorização e a busca do emprego estável em uma grande corporação; a ênfase na ação coletiva em oposição à ação individual.

DRUCKER (1986) cunha o termo "entrepreneurship" para designar este novo padrão de comportamento dos agentes econômicos em face de uma economia e sociedade em processo de mudança, caracterizando a economia empreendedora com base nos seguintes aspectos:

- o surgimento de novos setores ou ramos de negócios propiciados pelo desenvolvimento tecnológico na Era da Terceira Onda;

- a busca dos pequenos empreendimentos como forma da realização pessoal;

- a valorização da individualidade e da qualidade de vida, conferindo status e dimensão econômica a setores que até então não eram considerados na perspectiva empresarial, e,

- a inovação sistemática como prática permanente para o aproveitamento de novas oportunidades para satisfazer às carências e necessidades das pessoas nesta Era da Terceira Onda.

A Evolução do Empreendedorismo – histórico, autores e contribuições relevantes

Conceptualizado o empreendedorismo quanto aos seus aspectos de fundamentação econômica (a emergência da economia empreendedora) e a organizacional (a delimitação de um modelo de gestão empreendedora), toma-se oportuno proceder à abordagem da produção intelectual relacionada com os princípios e a metodologia de gestão que lhe são relevantes.

A primeira referência que obrigatoriamente há de ser feita ao empreendedorismo remonta, ao industrial e economista clássico francês Jean-Baptiste Say (1767-1832), autor da célebre lei dos mercados ou Lei de Say - segundo a qual a produção criaria a sua própria demanda, impossibilitando uma crise geral da superprodução - cujo conceito de equilíbrio econômico constitui-se na base da teoria econômica neoclássica.

Professor do Collège de France, Say elaborou uma teoria das funções do empresário, cunhando o termo “entrepreneur”, ou empreendedor, atribuindo-lhe um papel de especial importância na dinâmica de crescimento da economia.

DRUCKER(1986) retraía de forma bastante precisa o conceito de empreendedor elaborado por Say, ao atribuir-lhe o papel de transferir recursos econômicos de um setor de produtividade mais baixa para um setor de produtividade mais elevada e de maior rendimento, propiciando, desse modo, uma maior eficiência e eficácia à economia.

Já no presente século, o economista austríaco SCHUMPETER (1961) Ministro das Finanças em seu país após a Primeira Grande Guerra, radicado nos Estados Unidos desde 1932, onde lecionou na Universidade de Harvard, elabora uma importante contribuição teórica hoje incorporada à corrente de pensamento denominada de empreendedorismo, estabelecendo os conceitos de destruição criadora e empresário empreendedor.

Outra importante contribuição para a nucleação do empreendedorismo foi dada por McCLELLAND(1961), psicólogo da Universidade de Harvard, que desenvolveu a concepção de um paradigma comportamental do perfil do empreendedor, estabelecendo, nesse sentido, uma segmentação da sociedade em dois grandes grupos quanto a percepção e ao enfrentamento de desafios e oportunidades.

O primeiro grupo corresponde a uma parcela mínima da população que se sente disposta a enfrentar desafios e, conseqüentemente, empreender um novo negócio; já a imensa maioria da população não se dispõe a enfrentar riscos desta natureza.

Há de ressaltar que o modelo desenvolvido por McCLELLAND(1961), constituiu-se na base teórica de um programa de treinamento para empreendedores, já aplicado em vários países (Programa EMPRETEC), fundamentado nos seguintes níveis de motivação:

- necessidade de realização: é a necessidade do sucesso competitivo, medido em relação a um padrão pessoal de excelência e cada pessoa tem seu critério próprio de sucesso (motivo financeiro, realização profissional. reconhecimento, entre outros);

- necessidade de afiliação: é a busca de relacionamentos efetivos com outras pessoas, seja de caráter cordial, compadecido caloroso ou outros; e

- necessidade de poder: visando controlar ou influenciar outras pessoas.

A caracterização do empreendedorismo enquanto um novo modelo de gestão consentâneos com os paradigmas (econômicos, políticos, social, tecnológicos, culturais etc.) prevalecentes no final do

último milênio, é evidenciada pela crescente produção editorial sobre os seus fundamentos e metodologia, notadamente a partir da segunda metade dos anos 80.

Uma síntese representativa desta produção editorial relacionada com o tema empreendedorismo, é apresentada a seguir, ao identificar seus autores e títulos relevantes para o ensino do empreendedorismo.

- Gifford Pinchot – “Intraempreendedorismo : por que você não precisa deixar a empresa para tornar–se um empreendededor”, Harbra , 1989 . “Intraempreendedorismo na Prática” , Editora Campus, 2004

- Larry Farrel – “Empreendedorismo: Fundamentos das Organizações Empreendedoras”,Atlas, 1993

- Peter Drucker – “Inovação e Espírito Empreendedor”, Pioneira, 1986

- Ronald Degen & Alvaro Mello – “O Empreendedor – Fundamentos da Iniciativa Empresarial”.

McGraw-Hill,1989

- Silvio Santos & Heitor José Pereira – “Criando seu Próprio Negócio – Como Desenvolver o

Potencial Empreendedor”,SEBRAE, 1995

- Alvaro Mello& Silvio Olivo – “Negócios que Deram Certo”, SEBRAE, 1995

- Francisco Gracioso – “Grandes Sucessos da Pequena Empresa”,SEBRAE, 1995

- Donald Sexton – “ The Blackwell Handbook of Entrepreneurship”, 2000

- JacquesMarcovitch – “Pioneiros & Empreendedores – A Saga do Desenvolvimento no Brasil”,

EDUSP, 2003

- Francisco Brito & Luiz Wever – “Empreendedores Brasileiros – Vivendo e Aprendendo com

Grandes Nomes”, Negócio Editora,2003

- Bob Wollheim & Pyr Marcondes – “Empreender não é Brincadeira” ,Negocio Editora, 2003

- José Carlos Assis Dornelas – “Empreendedorismo – Transformando Idéias em Negócios” ,Editora

Campus, 2003

- Fernando Dolabela – “Oficina do Empreendedor”, Editora Cultura,1999

- Idalberto Chiavenato – “Empreendedorismo – Dando Asas ao Espírito Empreendedor,Editora

Saraiva, 2004

- Aquiles Siqueira – “Geração de Emprego e Renda no Brasil – Experiências de Sucesso”,DP&A

Editora,1999

O histórico do empreendedorismo no Brasil

Em que se pese tratar-se de uma área de estudo ainda considerada bastante recente no país, já podemos detectar um razoável elenco de programas e projetos educacionais direta ou indiretamente relacionados com a temática empreendedorismo, destacando-se os seguintes:

- O projeto acadêmico pioneiro no Brasil coube a EAESP/FGV com a criação da disciplina Novos Negócios, em 1981, ministrada no Curso de Especialização em Administração para Graduados (CEAG), pelo Prof. Ronald Degen;

- Em 1984, a EAESP/FGV estende o curso Criação de Novos Negócios para a graduação, também o primeiro no Brasil neste nível universitário, ministrado pelo Prof. Alvaro Mello;

- A Universidade de São Paulo através da Fundação Instituto de Administração, em 1985, desenvolve o Curso Criação de Empresas de Base Tecnológicas, com o Prof. Silvio Santos;

- O Programa EMPRETEC (Formação de Empreendedores), ministrado no Brasil pelo SEBRAE, já tendo sido realizados cursos em diversas Unidades da Federação, iniciado em 1991;

- O Instituto Euvaldo Lodi (IEL), órgão vinculado à Confederação Nacional da Indústria, promove o Programa PÉGASO - Escola de Empreendedores, destacando-se o Curso de Formação de Empreendedores e de Multiplicadores, realizado nos estados do Ceará(1995) e Rio Grande do Norte(1996), sob a coordenação pedagógica do Prof. Alvaro Mello;

- O Programa REUNE Rede Universitária de Ensino que tem por objetivo introduzir o ensino do empreendedorismo nos cursos universitários de todo o Brasil, sendo coordenado pelo Prof. Fernando Dolabela(1998);

- A Pesquisa mundial GEM-Global Entrepreneurship Monitor, que mede o empreendedorismo em

31 países, tem mostrado que o Brasil se destaca entre os seis primeiros países empreendedores do mundo (2003);

- As ações desenvolvidas pelas incubadoras de empresas de base tecnológica lideradas pelo Anprotec são responsáveis por uma das mais importantes experiências de formação teórica e aplicada de empreendedorismo no país. É relevante o grau de integração com os centros de pesquisas : 83% das incubadoras mantém vínculos com as universidades

- O Programa Jovem Empreendedor, uma parceria do Ministério do Trabalho com o SEBRAE (2004)

- A Feira do Jovem Empreendededor de São José dos Campos (SP) que reúne estudantes da rede pública municipal para apresentação de produtos e equipamentos voltados ao empreendedorismo(2004)

- O Premio “Empreendedor do Ano”(2004) promovido pela Consultoria Ernest & Young e a ONG Instituto Empreender Endeavor

- Os projetos empreendedores apoiados pelo Instituto Empreender Endeavor somaram em 2003

R$210 milhões e foram responsáveis pela geração de aproximadamente 2,5 mil empregos. Esta

ONG deverá captar outros R$5milhões em 2004, para atender as mesmas finalidades anteriores.

A pedagogia do empreendedorismo

O que deverá ser ensinado? Como deverá ser ensinado? O Empreendedorismo como opção de carreira, tem sido negligenciado ou, na melhor das hipóteses, não tem sido levado em consideração nos vários cursos realizados em nossas universidades. Daí, observar-se as seguintes atitudes, particularmente no âmbito universitário que a maioria das pessoas, inclusive empreendedores, não pensam ou reconhecem no empreendedorismo uma carreira.

Constata-se, portanto, que somente uma minoria dos futuros empreendedores enquanto estão na universidade, estão conscientes de tornarem-se empreendedores,pois a criação e o desenvolvimento de uma ou mais empresas é uma passagem, uma fase de busca, um chamamento, um estilo de vida, que poderá se encaixar na noção básica de uma carreira.

Porém, deste grupo, somente uma pequena parte começará imediatamente logo após a formatura, ao passo que outra parcela esperará um pouco pela sua carreira empreendedora, e assim trabalhará para terceiros numa posição que o preparará para seu futuro negocio próprio.

Contudo, algumas mudanças estão ocorrendo na sociedade brasileira que favorecem o empreendedorismo e, que são as seguintes:

- A institucionalização da “família de duas rendas”;

-O papel da mulher empreendedora, onde está ocorrendo o maior índice de criadores de empresa;

- O reconhecimento oficial de que pequenos novos negócios são produtores de trabalho, exportações e inovações;

- O pressuposto de que Empreendedorismo não é necessariamente “local” para super estrelas e

- A revolução da informática como fator positivo na redução de custos e de outras barreiras para quem quer iniciar negócio próprio (infoempreendedor)

- O reconhecimento de que Empreendedorismo – estudo, pesquisa, ensino e promoção é um fenômeno internacional.

A partir destas constatações e novos fatos que estão surgindo no âmbito da educação empreendedora, alguns pesquisadores dedicados ao estudo do empreendedorismo no Brasil e no mundo, já iniciaram um movimento em direção a uma nova era ou uma “Nova Escola” nesta do conhecimento organizacional. Contudo, é necessário antes de examinar esta nova escola e suas respectivas abordagens, entender suas origens – a “Velha Escola”.

São os seguintes seus enfoques, características e diretrizes:

- no início, na universidade havia pouca aceitação e muita resistência dos colegas professores, particularmente de outras áreas de administração;

- o desconhecimento por parte dos graduados que buscavam as grandes empresas, como opção de emprego, em vez de pequenas empresas;

- entre os pesquisadores acadêmicos, era mais “lucrativo” a pesquisa na grande empresa do que na

pequena;

- havia, como ainda há pouca prova que empreendedorismo era ensinável, pesquisável e que poderia ser substituído por disciplinas tais como marketing, finanças, administração da produção, etc.

Logo, considerando estes pressupostos, ao adotar os enfoques da “Velha Escola”, eram dadas as

seguintes orientações aos potenciais empreendedores :

- não pense demais sobre o negócio: realize-o logo;

- ache qualquer oportunidade, não importa o que seja, simplesmente vá lá e realize-a;

- espere até que você complete 35 anos;

- primeiro, faça um plano de negócios;

- tenha atenção exclusiva na fase inicial do negócio.

Quanto aos conteúdos dos cursos de Empreendedorismo, a abordagem da “Velha Escola” privilegiava

como ainda privilegia as seguintes diretrizes:

- ênfase excessiva na participação de palestrantes convidados nas “histórias empresariais vividas”;

- quase nenhuma menção sobre aspectos éticos nos negócios;

- o sucesso na criação de uma nova empresa é função única das seguintes condições: perseverança, coragem, tolerância à ambigüidade e criatividade;

Neste sentido, verifica-se que esta “Escola” :

- não leva em conta os fatores ambientais, a estrutura do conceito do negócio, as variáveis críticas do negócio, etc.;

- existem poucos programas e estratégias que incorporam métodos sistemáticos para identificar o potencial empreendedor;.

- os cursos tem se preocupado mais com o sistema reciprocidade de avaliação de viabilidade de um projeto e carecem totalmente de sistemas de avaliação do potencial empreendedor ou seja, a identificação de quem está "tocando" o investimento;

- desenvolvem-se cursos de treinamento gerencial para fortalecer as técnicas e práticas gerenciais, análise de viabilidade econômico-financeiro, marketing, produção e finanças, no entanto, nenhum

- existem dificuldades para selecionar e reforçar no indivíduo a capacidade de criar sua própria empresa e ter sucesso empresarial.

Estes enfoques tradicionais, ainda adotados em várias instituições de ensino do país, tem contribuído muito pouco para o estímulo ou desenvolvimento de estratégias para motivar a atividade empreendedora empresarial, pois boa parte dos educadores e executivos assumem que o potencial empreendedor de uma pessoa é uma característica da personalidade pessoal, é um fator cultural ou uma reação normal e automática diante de uma "oportunidade de negócios" que surge.

A “ Nova Escola”: Diretrizes e Enfoques

A partir deste quadro, uma nova proposta pedagógica está surgindo, baseado no conhecimento moderno da educação empreendedora obtidas em pesquisas sistemáticas, que evidenciam mudanças no ensino e na aprendizagem nesta área da administração, e que são as seguintes :

- considera a atividade empreendedora como um conjunto de comportamentos de hábitos que podem ser adquiridos, praticados e reforçados nos indivíduos, ao submetê-los a um programa de capacitação adequado;

- considera que o potencial empreendedor pode ser avaliado corretamente ao se identificar e medir o grau em que o indivíduo manifesta certas características chave, que estejam estreitamente associados ao seu êxito empresarial;

- Entende-se que empreendedores de sucesso são tanto "pensadores" críticos como orientados para a ação ;

- Em qualquer idade é válido se iniciar um negócio. Porém, em termos de planejamento de carreira empreendedora, é mais favorável iniciar-se entre os 28 e 32 anos (EUA) ;

-A elaboração do Plano de Negócios leva muito tempo e não se adequa a boa parte dos negócios, portanto, deve ser elaborado um estudo de viabilidade criativo para evitar se prender em detalhes prematuramente;

-O Empreendedorismo é uma carreira composta de multiplicadoras oportunidades de negócios;

- Os palestrantes convidados, especialmente os empreendedores bem sucedidos, devem ser um complemento do curso, e, não sua parte majoritária;

- A valorização dos aspectos éticos no novo negócio, é um fator crítico para o sucesso a longo prazo, e, deve ser considerado como importante no conteúdo da disciplina;

- O sucesso na criação de empresas é função de uma combinação viável de condições ambientais humanas e empresariais,é portanto, uma função não somente do "Know How Empreendedor" mas, também do "Know Who Empreendedor".

Quantos aos Recursos Pedagógicos que devem ser usadas nos cursos de Empreendedorismo, ao se adotar as abordagens mais modernas no ensino do Empreendedorismo , aconselhamos o seguinte :

-Uso da tecnologia da informação na elaboração dos planos de negócios

- Desenvolvimento de protótipos de produtos ou serviços, como parte do curso

- Uso de estudos de viabilidade nas propostas desenvolvidas em classe

- Uso de vídeo e cds com empreendedores

- Uso de exposição ao vivo de casos de empresas e empreendedores bem sucedidos

- Uso de estudos de caso ao vivo, sobre empreendedorismo

- Avaliação cruzada dos planos de negócios realizados pelos alunos

- Acompanhamento através de “diário” das atividades relacionadas como estudo do novo negócio

- Adoção de sistema de avaliação (notas) que leva em conta o aluno levantar recursos financeiros, com base no plano de negócios desenvolvidos em sala de aula

- Concessão de bolsas de estudos para alunos de empreendedorismo

Desta forma, os cursos de formação de empreendedores deverão ensinar e discutir os seguintes tópicos:

- Fatos X mitos sobre criação de empresa

- Habilidades/talentos realmente comprovados

- Criatividade e Inovação

- Atitude com respeito a ambigüidade

- Habilidade na identificação de oportunidades

- Técnicas de avaliação do novo negócio

- Recursos para posta em marcha do novo negócio

- Estratégias para novos negócios

- Tutoria à “profissão” de empreendedor e aos aspectos éticos

- Técnicas de negociação

- Rede de contatos (networking )

Assim, ao se levar em consideração os tópicos a serem abordados na educação empreendedora moderna, sugere-se os seguintes cursos, que deverão fazer parte de um Programa de Empreendedorismo :

- Finanças para novos negócios

- Marketing para novos negócios

- Gestão Empreendedora

- Desenvolvimento e design de produtos

- Estudos de viabilidade-

- Economia na criação de empresas

- Psicologia dos empreendedores

- História dos empreendedores

- Intraempreendedorismo e Inovação

- Aspectos jurídicos, contábeis, e fiscais em novos negócios

Recomendações e conclusões

A prática empreendedora poderá ser ensinada; os alunos de uma maneira geral tem optado pela aprendizagem (aquisição de conhecimento) de como começar novas empresas ao acreditar na aprendizagem acadêmica inovadora de que o empreendedor pode ser formado na universidade.

Entretanto, ninguém pode afirmar que empreendedores "formados" ou treinados”, serão mais bem sucedidos por que estudaram na escola a disciplina Empreendedorismo . O mesmo ocorre com matérias tais como marketing, finanças, ou recursos humanos .

Contudo, "fortes indicações" demonstram que o "Ensino do Empreendedorismo", produzirá mais e melhores empreendedores ao serem mais eficientes em termos de quando, como e onde começar seus negócios ao melhorar suas carreiras como empreendedores, e acima de tudo, como maximizar seus objetivos para si próprios e para o aperfeiçoamento da sociedade

Assim procedendo, o potencial empreendedor pode ser aprendido, ao se enfocar a atividade empreendedora como um conjunto de padrões de comportamento que podem ser estimulados e desenvolvidos.

Referencias Bibliográficas

DRUCKER, Peter F. Inovação e Espírito Empreendedor ( Entrepreneurship) : Prática e Princípios . Ed. Pioneira; São Paulo;1986.

McCLELLAND, David . The Achieving Society. New York; D. Van Nostrand.1961.

MELLO, Alvaro & OLIVO, Silvio. O Sonho do Negócio Próprio. Diário do Grande ABC.09.01.96

SCHUMPETER,Joseph. Capitalismo, Socialismo e Democracia. Editora Fundo de Cultura; Rio de

Janeiro; 1961

SILVA, Helio Eduardo . Programa de Empreendedorismo da UCB: Bases Conceituais e Estratégia de

Desenvolvimento.Material Acadêmico. Brasília. 1997

HIRSRICH,Robert & Peters, Michael . Empreendedorismo. Bookman. Porto Alegre. 200

Obs: estas referências bibliográficas são complementares as indicações dos autores no item a

“Evolução do Empreendedorismo” deste trabalho.

Alvaro Mello