A experiência de quem aderiu ao trabalho em casa

Feita da forma correta, a adesão ao trabalho em casa pode representar aumento da produtividade para empresa e maior liberdade para o empregado

Por Flávia Gianini ( http://www.istoedinheiro.com.br)


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Para o coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Gestão, Trabalho e Tecnologia da Business School São Paulo (BSP) Alvaro Mello, a evolução da tecnologia da informação vai tranformar o home office no modelo oficial de trabalho em um futuro próximo

Em cinco anos, a implantação do trabalho em casa, alguns dias por semana, em toda a área de vendas da Ticket, empresa do setor de refeição e alimentação, gerou uma economia de R$ 3,5 milhões. Segundo a empresa, o ganho em produtividade proporcionou um crescimento de 40% no volume de vendas para novos clientes e incremento de 76% na receita proveniente dessas vendas.


Para se ter uma ideia, no modelo antigo, em média, cada colaborador gastava 30% de seu tempo para resolver questões administrativas e 5% para tornar o cliente mais rentável —oferecendo a ele novos produtos, por exemplo. Hoje, esses números variaram para 15% e 35%, respectivamente.
“O colaborador tem mais mobilidade, consegue planejar melhor suas visitas e dedicar mais energia a cada cliente ao invés de ser tomado pelas atividades administrativas de um escritório, ou de perder tempo no trânsito para se locomover até a empresa, entre outras coisas”, explica Eduardo Távora, superintendente de vendas da Ticket.


Profissionais da HP também recorrem ao home office. Como a natureza do trabalho exige que estejam atentos às demandas da empresa fora do horário de trabalho convencional (participando de reuniões virtuais, por exemplo), esses profissionais podem atuar de casa. Quando precisam, encontram estações móveis no local de trabalho e podem usar salas de reunião sempre que necessário.


A Cisco é outra empresa que adotou o trabalho remoto como parte de uma política mundial da empresa para todos os funcionários. No escritório, inclusive, não há mesas definidas e quem chega se instala em qualquer terminal e pode conectar seu notebook. Da mesma forma, acontece com os telefones. Basta configurar o aparelho com seu ramal.


Segundo a Ticket, para que a adoção do modelo de teletrabalho fosse possível foi necessária a criação de uma célula exclusiva para atendimento aos profissionais que trabalham em casa. Também foi contratada uma consultoria especializada em teletrabalho para apoio à área comercial, reuniões e contato com os familiares.


Cada um dos 104 colaboradores da empresa que trabalha em casa recebeu ainda mesas e cadeiras, celular corporativo, computador e impressora, além de ajuda de custo mensal para despesas com energia elétrica e material de escritório.

A Educação a Distância no Brasil (2001 a 2006)

Partindo-se do pressuposto de que a educação a distância é entendida como a utilização de tecnologias que apóiam os vários processos de ensino/aprendizado, constata-se que no Brasil, particularmente nas décadas de 50 a 80, com o surgimento da televisão, dos computadores, videocassetes e das videoconferências por satélite, algumas iniciativas de ensino a distância começaram a utilizar essas tecnologias.

Contudo, foi somente nos anos 90, com a utilização dos computadores para acessar mídias tradicionais como o CD-ROM e/ou DVD-ROM, CBT (Computer Based Training), e com o uso de outros dispositivos eletrônicos como celulares, PDAs, TVs interativas para acessar Intranet, Internet ou Extranet (WBT – Web Based Training), assim como as sessões de videoconferências, é que realmente a educação a distância se desenvolveu no mercado brasileiro executivo e de ensino superior.

De acordo com a empresa MicroPower (micropower.com.br), uma das mais conceituadas organizações  especializadas  em  educação  a  distância  no  Brasil,  Embratel,  Bradesco, Datasul, Petrobras e Fundação Vanzolini se destacam como referências pioneiras que utilizaram essas tecnologias. Vale salientar que, em 2001, a realização do primeiro Congresso e-Learning Brasil, também organizado pela MicroPower, possibilitou a troca de experiências, de lições aprendidas e das melhores práticas entre as várias organizações que implantaram programas de educação a distância.

Já consolidado como referência nacional na área da educação a distância, o Prêmio e-Learning Brasil (www.elearningbrasil.com.br), que premia os melhores cases de implantação de EAD, contemplou em 2006 dez empresas vencedoras, dez empresas que são referências nacionais e três contribuições consideradas marcantes no setor. No grupo das vencedoras, entre 71 participantes, foram premiadas as seguintes empresas: Brasil Telecom, Martins, Fundação Bradesco, Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, Banco Bradesco, FGV Online, FGV-EAESP, Colégio Presbiteriano Mackenzie e Senai Departamento Nacional. Como referências nacionais pelos trabalhos de implantação de programas de educação a distância, foram premiadas as seguintes empresas: Telemig

Amazônia Celular, Datasul, Sabesp, PUC-SP, Orbitall, Unibanco, SAP, Sebrae-SC, IBMEC-SP e SKY. As organizações Treina E-learning, Fanese e Instituto Razão Social foram agraciadas como contribuições marcantes.

Neste contexto, a partir de levantamentos feitos com os participantes do e-Learning Brasil, chegou-se às seguintes constatações com respeito aos investimentos, benefícios e principais fatores-chave de sucesso, e às melhores práticas e lições aprendidas nas organizações e instituições de ensino que participaram do prêmio em 2006 (fonte: Anuário e-Learning Brasil 2006):

Quanto aos investimentos em EAD e respectivos benefícios:

• O total dos benefícios acumulados em 2005 já superou R$ 1 bilhão e o retorno dos investimentos, de R$ 464 milhões, ocorre em menos de seis meses. Em 2005, constatou-se que houve um crescimento de 65% nos investimentos em educação a distância. Considerando o crescimento médio de 40% ao ano, estima-se que em 2010 os benefícios totais poderão superar R$ 6,5 bilhões, e os investimentos, R$ 3 bilhões (www.elearningbrasil.com.br/home/brasil/index.asp).

• Considerando as mais freqüentes razões de negócios que vêm justificando esses investimentos em EAD, eles têm gerado, tanto nas empresas quanto nas instituições de ensino superior no Brasil, os seguintes benefícios: a melhoria das vendas, dos resultados e do índice de satisfação dos clientes; o controle e a redução de custos; princípios de governança e contribuição social; a contratação, o autodesenvolvimento e a retenção do capital humano.

• Os investimentos feitos em EAD (2005) se distribuem em três componentes principais: conteúdo, tecnologia e serviços. No Brasil, de modo semelhante à tendência mundial, observa-se o crescimento de 48% dos investimentos em conteúdos (46% em 2004), e de

29%, em serviços (24% em 2004), além da redução de 23% em tecnologia (30% em 2004), que se justifica, em grande parte, pela adoção da modalidade sob demanda ou ASP (Application Service Provider) e pela terceirização (Business Process Outsourcing).

Quanto aos fatores-chave de sucesso:

• Constatou-se que houve uma melhoria tanto no alinhamento às estratégias como no grau de engajamento do público-alvo, o que indica que os projetos de educação a distância estão apresentando amadurecimento em seus objetivos.

• Em relação às quatro etapas de um projeto de EAD, observou-se que as carências que mais  merecem  atenção  são:  engajamento  da  alta  administração,  familiaridade  do público-alvo com a tecnologia de ponta, definição e acompanhamento das métricas, cumprimento dos prazos na etapa de implantação, medição dos níveis de retenção e aplicação do conhecimento/habilidades, e medição do impacto do novo conhecimento/habilidade nos resultados dos negócios.

Quanto às melhores práticas e lições aprendidas pelas empresas:

• Alinhamento com a estratégia

“A disponibilização de conteúdos alinhados às estratégias de negócios da organização e, de forma aberta, para todos os funcionários é uma ação que consideramos acertada” (Bradesco).

• Avaliação dos resultados

“Orçamento, métricas e recursos devem ser constantemente avaliados” (Martins).

• Foco na pedagogia, não na tecnologia

“A tecnologia precisa ser entendida como meio de um projeto educacional” (Fundação Bradesco).

• Importância da metodologia e da gestão de mudanças

“É importante a definição clara dos papéis e atribuições de cada um dos participantes desde o início do projeto, incluindo dos componentes das equipes de planejamento e web até os orientadores, professores, monitores e alunos” (PUC-SP).

• Apoio ao projeto e ao aluno

“Os participantes têm à disposição uma equipe de tutores constituída por profissionais com  formação  e  atuação  na  área  de  administração  de  empresas,  capacitados  para auxiliar os participantes a resolver as suas dúvidas durante todo o período em que estiverem participando do programa” (Sebrae-SC).

• Continuidade e expansão

“Formamos   uma   cultura   de   treinamento   on-line   e,   hoje,   as   pessoas   realizam treinamentos de e-learning sem nenhuma restrição ou discriminação” (Orbitall).

 

• Envolvimento, patrocínio e valorização

“O Programa de E-learning deve ser implementado top-down, ou seja, seu sponsor deve ser o principal executivo da organização” (Martins).

• Garantia de infra-estrutura

“Um LMS flexível aderente às condições da empresa revelou-se uma ferramenta bastante útil. É importante que o software aceite customizações, tenha rapidez na implementação e no apoio (suporte técnico)” (Unibanco).

• Integração e estratégia

“Os alunos contam com a mídia impressa e digital, ou seja, todo o conteúdo dos cursos é disponibilizado na Internet, em papel na forma de apostilas, e também em CDs, permitindo o fácil acesso ao material dos cursos, em qualquer situação” (FGV Online).

• Gestão e planejamento

“Para o treinamento de clientes, foi desenvolvida uma ferramenta on-line capaz de medir o conhecimento dos usuários sobre nossos produtos. Esse processo é disponibilizado sem custos, com o objetivo de criação de um plano personalizado de aprendizado para o cliente. Com essa abordagem, conseguimos nos aproximar dos clientes, realizando processos de diagnóstico e construção de soluções customizadas de aprendizado” (Datasul).

A EAD no Ensino Superior Brasileiro

Comparando os dados de 2005 relativos aos cursos de graduação no ensino superior, na modalidade presencial tradicional houve um crescimento menor (7,55%), ao passo que os cursos de graduação a distância cresceram 76%. Em 2004, existiam 107 cursos superiores a distância; em 2005, esses cursos chegaram a 189, lembrando que, em 1999, não passavam de dez cursos. Com respeito à oferta de vagas, ocorreu também um crescimento: em 2004, havia 113.079 e, em 2005, existiam 423.411 vagas. O número de candidatos para essa quantidade de vagas passou de 50.706 para 233.626, ou seja, quatro vezes mais.

Esse dado revela muito mais do que o simples crescimento da EAD no Brasil, pois mostra que, apesar do bom desempenho das instituições de ensino superior que investiram nesse tipo de ensino/aprendizado, 71% das vagas ainda não são preenchidas pelos candidatos. Na realidade, tal quadro demonstra que o ensino superior a distância teve um grande crescimento  de  oferta  de  cursos  e  vagas,  mas  ainda  continua apresentando  um  baixo número de candidatos e, conseqüentemente, de matrículas.

Diferentemente dos cursos de graduação de natureza presencial, a modalidade EAD não é limitada pelos espaços físicos das faculdades. Nesse sentido, se os cursos de EAD tiverem um adequado suporte tecnológico e professores qualificados e em quantidade apropriada, poderão ser oferecidas mais vagas do que para os cursos presenciais tradicionais. Portanto, essa vacância existente significa muito menos um problema e, muito mais, uma expectativa de demanda pela EAD, podendo-se prever, a partir dessa hipótese, que esse mercado no País tende a um grande crescimento.

Álvaro Augusto Araújo Mello

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